A presidente Dilma Rousseff chegou ontem a Ufá,
capital do Bascortostão, na Rússia, onde se juntará aos chefes de governo da
Rússia, Índia, China e África do Sul para o sétimo encontro anual do Brics. A
cúpula de dois dias, em uma das mais belas regiões russas, nas encostas dos
Montes Urais, iniciou com um jantar típico oferecido aos líderes políticos.
Na agenda prioritária dos líderes está o acordo sobre o Novo Banco de
Desenvolvimento (NDB) ou Banco do Brics, que entrou em vigor na semana passada.
Eles vão discutir detalhes sobre o funcionamento da nova instituição, que terá
sede em Xangai, na China, e será presidida pelo banqueiro indiano K. V. Kamath,
tendo como vice o economista brasileiro Paulo Nogueira Batista Junior.
O banco, que começa a operar no ano que vem, terá capital inicial de US$ 50
bilhões, divididos em partes iguais entre os membros. Com ele, os
países-membros do Brics esperam reduzir o domínio do FMI e do Banco Mundial
sobre o sistema financeiro global e criar espaço para outras moedas, além do
dólar americano, no comércio internacional. A instituição financiará projetos
de infraestrutura nos países do Brics, mas as operações podem ser estendidas a
países em desenvolvimento que desejem fazer empréstimos.
A criação do NDB ocorreu em julho do ano passado, na última reunião do Brics,
em Fortaleza, no Ceará. Na ocasião, também foi lançado o Arranjo Contingente de
Reservas (CRA na sigla em inglês) no valor de US$ 100 bilhões, dos quais US$ 41
bilhões virão da China. O Brasil, a Rússia e a Índia contribuirão com US$ 18
bilhões cada e a África do Sul aportará US$ 5 bilhões. A cúpula também servirá
para discutir ações de cooperação econômica e comercial entre os países do
bloco, englobando setores como energia e infraestrutura. O Brics representa um
quinto da economia mundial e 40% da população do planeta.
Os países do Brics não pretendem incluir a atual crise na Grécia como tema de
debates de sua cúpula que começa hoje. O subsecretário-geral do Itamaraty, José
Alfredo Graça Lima, assegurou que as turbulências envolvendo a Grécia e a União
Europeia não entraram na pauta das reuniões preparatórias e, em princípio, não
deverão ser citadas na declaração final do encontro.
O presidente chinês, Xi Jinping, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o
presidente Sul-Africano, Jacob Zuma, chegaram durante a manhã a Ufá e tiveram
encontros bilaterais com o presidente russo, Vladimir Putin. Para o líder
russo, a cúpula é uma oportunidade de mostrar ao ocidente que Moscou não está
isolada, mesmo com a suspensão do país do grupo G8 - as nações mais
industrializadas do mundo -, por causa da anexação da Crimeia, em março do ano
passado.