Dois indicadores apurados pela Fundação Getulio Vargas (FGV)
mostram deterioração do mercado de trabalho, com perspectiva de queda na
abertura de novas vagas e piora da percepção do brasileiro quanto ao emprego.
O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp), que
tenta antecipar a tendência do mercado e trabalho, registrou queda de 4,3% no
mês passado, para 71 pontos, o menor nível da série iniciada em abril de 2009.
O resultado corrobora a percepção de desaquecimento nos próximos meses, diz a
FGV. Em janeiro, o índice havia caído 2,4% e em dezembro de 2014, avançado
2,0%.
"Os resultados apontam que a redução do
emprego deve continuar no primeiro trimestre do ano, principalmente pela piora
nas expectativas de trabalhadores e empresas em relação ao mercado de trabalho.
Adicionalmente, a piora na percepção dos negócios, principalmente no setor de
serviços intensivos em mão de obra, deve contribuir também para elevação das
demissões e, consequentemente, do desemprego nos próximos meses", afirma,
em nota, Rodrigo Leandro de Moura, pesquisador da FGV/ Ibre.
O quesito que mede a expectativa dos
consumidores em relação à disponibilidade de emprego no futuro foi o que mais
contribuiu para a forte queda do IAEmp, ao cair 13,2% ante janeiro. A percepção
da tendência dos negócios para os próximos meses da Sondagem do Setor de
Serviços veio a seguir, com variação negativa de 5,3%.
O segundo indicador, o Coincidente de Desemprego
(ICD), por sua vez, avançou 1,2% em fevereiro, atingindo 78,0 pontos e mantendo
a tendência de alta iniciada em 2014. O resultado sinaliza que houve piora do
mercado de trabalho em fevereiro.
O ICD é construído a partir de dados
desagregados, em quatro classes de renda familiar, do quesito da Sondagem do
Consumidor que capta a percepção do entrevistado a respeito da situação atual
do mercado de trabalho. Desse modo, o indicador capta puramente a percepção das
famílias sobre o mercado de trabalho, sem refletir, por exemplo, a diminuição
da procura de emprego motivada por desalento.